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Estudo mergulha na história do TAMAR e analisa biografias de tartarugueiros

23/06/2017 - Pesquisa resgata e discute mudanças de hábitos culturais e o processo de união de forças com as comunidades litorâneas pela conservação das tartarugas marinhas no Brasil. Leia mais. ↓

Um estudo de mestrado profissional em Ecologia Aplicada à Gestão Ambiental da Universidade Federal da Bahia resgatou biografias de dois tartarugueiros que trabalham com o Projeto TAMAR desde 1989 e 1996. O objetivo era iniciar uma pesquisa sistemática sobre as transformações de hábitos culturais em relação às tartarugas marinhas, desde que o Projeto TAMAR iniciou as ações de conservação desses animais no país. Através da análise do conteúdo de entrevistas feitas em 2016, o biólogo do TAMAR Frederico Tognin, com orientação do Prof. Dr. Luiz Antonio Ferraro Junior, constatou a formação de sujeitos ecológicos na proteção das tartarugas, com engajamento das famílias e da comunidade nas quais se inserem os tartarugueiros.

Em 1980, nasceu o Projeto TAMAR. Este foi o ano de início do levantamento de informações sobre os usos e hábitos culturais relacionados às espécies nas praias brasileiras, juntamente com a identificação das principais áreas de reprodução das 5 espécies que ocorrem no país. Desde que os pesquisadores perceberam que era preciso envolver e cuidar das pessoas para proteger as tartarugas marinhas, criou-se uma relação de trabalho que mudou a vida de famílias das comunidades litorâneas.

Pescadores, que antes da chegada do Projeto consumiam como recurso alimentar ou vendiam tartarugas marinhas e ovos, foram convidados a trabalhar formalmente na proteção, pois sabiam como encontrar a desova da tartaruga sem estragar os ovos, ou qual melhor época para vê-las na praia, dentre outras informações fundamentais para realizar as atividades de conservação. Assim nasceram os tartarugueiros. Um dos entrevistados lembrou do momento da chegada dos pesquisadores em sua residência nos anos 80: “Ai eu tava em casa, era 6 horas da tarde e chegou o rapaz, aqui não era proibido comer tartaruga, nesse dia eu tinha até uns ovos em cima da telha da casa secando”.

As atividades de proteção e manejo trazidas pelos estudantes de Oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande buscaram dialogar com as práticas e o conhecimento tradicional. A pesquisa buscou perceber quais eram as causas, o alcance e a profundidade destas mudanças de comportamento. “Não tínhamos verificado ainda de forma sistemática se essas transformações observáveis eram reflexo de um processo de mudança cultural geral, que em muito ultrapassa as ações do Projeto TAMAR, ou se eram um resultado direto das atividades de sensibilização, educação ambiental e capacitação ao longo dos anos, relata Tognin.

Dentre todas as áreas monitoradas pelo Projeto TAMAR, a comunidade onde habitam os entrevistados é a única que possui características similares às originais dos esforços de monitoramento das tartarugas marinhas. É a única que ainda trabalha com os mesmos tartarugueiros desde o início das atividades, o que tornou a pesquisa favorável. A identidade dos entrevistados é preservada.

Por meio das narrativas pessoais, o estudo investigou as raízes das mudanças que passaram a ocorrer após a chegada dos pesquisadores do TAMAR na década de 80 e do convite para alternativa de trabalho e renda no litoral. “Espaços eficientes de diálogo, de aprendizagem e capacitação foram abertos naturalmente, subvertendo uma realidade anterior marcada pela falta de informações sobre as tartarugas marinhas”, conta Tognin.

A visão de cada tartarugueiro partiu do compromisso em manter a própria comunidade engajada na ação educadora mais ampla, que envolve gerações das famílias e o meio ambiente para além das tartarugas, incluindo questões de cidadania e a preocupação constante com a qualidade ambiental do lugar onde vivem. A relação de trabalho estabelecida, as mudanças culturais gerais, a capacitação e os resultados positivos para a conservação alcançados, colaboraram e continuam a colaborar com as mudanças de comportamento em relação à proteção necessária às tartarugas e ao seu habitat.

“Realizar esse estudo, participar da formação dos tartarugueiros e comprovar essa mudança de comportamento foi muito gratificante. Ouví-los falar sobre o orgulho em ser tartarugueiro foi emocionante. Um dos entrevistados deseja que os filhos estudem e façam faculdade de Biologia. Isso mostra a consolidação e a perpetuação do trabalho com a conservação das tartarugas marinhas”, completa Tognin.

O Projeto TAMAR começou nos anos 80 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, hoje o projeto é a soma de esforços entre a Fundação Pró-TAMAR e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.  

Tartaruga Verde ou Aruanã

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