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Em busca dos anos perdidos

20/11/2012 - Desvendar o comportamento migratório de tartarugas em estágio inicial de vida é o objetivo de uma das pesquisas em andamento no Tamar. ↓

Em busca dos anos perdidos

Tartaruga cabeçuda

Desvendar o comportamento migratório de tartarugas em estágio inicial de vida é o objetivo de uma das pesquisas em andamento no Tamar. Em parceria com a Universidade Atlântica da Flórida, sob a coordenação da pesquisadora Kate Mansfield, o estudo investiga os primeiros momentos de vida das tartarugas marinhas em águas oceânicas, período que os pesquisadores denominam “anos perdidos” - Lost Years. Apesar de décadas de estudo, pouco se sabe sobre o que acontece com a maioria das espécies de tartarugas marinhas durante esse tempo. Saber para onde os filhotes vão e poder identificar as áreas de berçário e uso de habitat é necessário e fundamental para conservação e manejo dessas espécies. Três tartaruguinhas cabeçudas (Caretta caretta) já foram soltas com transmissores adaptados para monitorar seu deslocamento e, até agora, os pesquisadores puderam observar um comportamento ativo e rumo ao sul.

Os filhotes foram preparados e alimentados durante oito meses para que ganhassem mais peso e aumentassem de tamanho, o suficiente para carregar o equipamento sem prejuízos para sua movimentação natural. Mini-transmissores por satélite (comumente usados em aves) foram levemente modificados e colocados nas tartarugas. A equipe e a pesquisadora americana saíram para o mar no dia 8/11, soltando o primeiro indivíduo a 11 quilômetros da costa, na Praia do Forte/BA, juntamente com dois drifters, ou derivadores, aparelhos com GPS para obter dados sobre as correntes marítimas e acompanhar sua direção a partir do local da soltura da tartaruguinha. No dia 11/11, as outras duas tartaruguinhas foram soltas a 10 quilômetros da costa, com mais dois drifters para monitorar as correntes.

Os pesquisadores já puderam observar que as tartarugas foram no sentido sul, uma delas está acompanhando o talude (quebra da plataforma), nadando paralelamente à costa. As outras duas estão indo para sul também, saindo para águas oceânicas, com profundidades maiores que 2.500 metros. Elas têm apresentado autonomia em relação à direção das correntes, nadando ativamente, a favor, mas não ficando a mercê delas, conseguindo se afastar da costa.

De acordo com a coordenadora nacional de conservação e pesquisa da Fundação Pró-Tamar, Neca Marcovaldi, os transmissores podem ficar no máximo seis meses em funcionamento, depois se soltam sozinhos. Serão realizadas mais duas solturas de tartaruguinhas com transmissores em dois momentos diferentes ao longo da temporada 2012-13 (fevereiro e março), para coincidir com mudanças de correntes na costa. “Com a pesquisa poderemos verificar se as tartaruguinhas seguem o mesmo padrão das correntes predominantes em meses diferentes e comparar com rotas estudadas das fêmeas adultas”, prevê a oceanógrafa.

 

Tartaruga Oliva

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