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Estudo investiga a diversidade genética das tartarugas-oliva ao longo da costa do Brasil.

06/10/2023 - As tartarugas-oliva que se alimentam na costa do Brasil nasceram em diferentes áreas de desova do oceano Atlântico. ↓

Tartarugas marinhas realizam grandes migrações ao longo de suas vidas, podendo cruzar oceanos em busca de alimento. Nessa busca por áreas de alimentação, tartarugas de diferentes populações acabam se misturando e compartilhando áreas em comum. Um estudo recente buscou entender como as tartarugas-oliva se distribuem ao longo da costa do Brasil e de quais populações elas pertencem, ou seja, descobrir onde elas nasceram. O estudo foi realizado pelo oceanólogo Igor Puertas, da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, sob orientação das professoras Danielle Monteiro e Maíra Proietti.

Para saber onde as tartarugas nasceram, nós utilizamos um marcador genético que é transmitido da mãe para os filhotes. Como as tartarugas adultas retornam para as áreas que elas nasceram para se reproduzir, cada área de desova possui uma “assinatura” genética específica. Comparando esse marcador entre os animais nós podemos identificar de qual população as tartarugas pertencem.

O estudo mostrou que as tartarugas-oliva encontradas nas áreas de alimentação de Alagoas nasceram principalmente nos estados do Sergipe e Bahia e na costa do Gabão, na África. Já as tartarugas-oliva do Ceará nasceram principalmente no Sergipe, seguido por Gabão, Bahia e Suriname/Guiana Francesa. Finalmente, as tartarugas encontradas no Rio Grande do Sul também vêm principalmente do Sergipe, seguido por Suriname/Guiana Francesa e pelo Gabão. De acordo com Igor, “esses resultados indicam que as áreas de alimentação ao longo da costa brasileira são predominantemente compostas por animais nascidos no Brasil, especialmente de Sergipe e Bahia”, e pode ser um reflexo do recente aumento no número de desovas de tartaruga-oliva no Brasil. “Compreender a conectividade entre as áreas de desova e de alimentação se fazem importantes para conservação e proteção desses animais”, disse Igor, ressaltando que apesar do recente crescimento populacional, ainda existem muitas lacunas no conhecimento sobre as tartarugas-oliva e pouco se sabe sobre suas características genéticas. A cooperação internacional é fundamental para a conservação destas espécies.

As análises genéticas foram feitas na FURG e no Laboratório de Genética e Evolução Molecular – LGEM da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. As coletas de campo para este estudo foram realizadas pela Fundação Projeto Tamar (Ceará), o Instituto Biota de Conservação (Alagoas) e o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Rio Grande do Sul).

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