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Mais fêmeas de tartarugas-de-couro estão nascendo no Brasil?

13/07/2026 - Estudo de 34 anos publicado em parceria com a Universidade de Exeter revela possíveis impactos das mudanças climáticas ↓

Um estudo que acompanhou a reprodução das tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) ao longo de 34 anos foi publicado na revista científica Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. A pesquisa é resultado de uma parceria entre a Universidade de Exeter (Inglaterra), a Fundação Projeto Tamar e o Centro Tamar/ICMBio.

Conhecer a proporção entre machos e fêmeas é essencial para a conservação das tartarugas marinhas, pois o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura da areia durante a incubação dos ovos. Em geral, temperaturas mais elevadas favorecem o nascimento de fêmeas, enquanto temperaturas mais baixas produzem mais machos. Além disso, o aumento excessivo da temperatura pode reduzir o sucesso de eclosão dos ovos.

Neste estudo, os pesquisadores analisaram a duração da incubação dos ninhos de tartaruga-de-couro no litoral do Espírito Santo, principal área de reprodução da espécie no Brasil, com registros de desovas em menor número, também no litoral do Piauí. Foram avaliados dados de incubação coletados entre 1988 e 2021.

Para estimar a proporção de machos e fêmeas, sensores automáticos de temperatura foram instalados em 28 ninhos durante as temporadas reprodutivas de 2015, 2016, 2017 e 2019. As temperaturas registradas durante o período termossensível (fase em que ocorre a determinação do sexo dos embriões) permitiram estimar a proporção de sexo dos filhotes.

Ao longo de todo o período analisado, o tempo médio de incubação foi de 66,3 dias, variando entre 52 e 91 dias. Comparando-se os dez primeiros anos de monitoramento com os dez mais recentes, foi observada uma redução média de 4,4 dias na duração da incubação. Também foram registradas diferenças de latitude ao longo da área de desova no Espírito Santo.

Os resultados indicam que a proporção média de fêmeas aumentou nas últimas décadas. Entre 2012 e 2021, a estimativa foi de 46,9% de fêmeas, com variação entre 32,7% e 84,8% ao longo da temporada reprodutiva. No início da série histórica (1988–1997), a média estimada foi de 34,6% de fêmeas, variando entre 7,7% e 68,1%.

Apesar desse aumento, o estudo também mostrou que, entre 1988 e 2021, a população não alterou a época do ano em que realiza as desovas, ou seja, não houve mudanças fenológicas detectáveis. A ampla variação observada entre diferentes praias e períodos da temporada indica que essa população ainda apresenta certa resiliência aos efeitos do aumento das temperaturas associado às mudanças climáticas.

Para o coordenador de Pesquisa e Conservação da Fundação Projeto Tamar no Espírito Santo, Mc Alex Santos, este estudo nos mostra a importância dos monitoramentos de longa duração, principalmente para espécies de ciclo de vida longo, como as tartarugas marinhas.

"Esse estudo de mais de 30 anos nos ajuda a entender como as mudanças climáticas podem estar afetando as tartarugas-de-couro no Brasil. Vimos que a proporção de fêmeas aumentou, mas a grande variação natural e o fato de elas não terem alterado o período de desova mostram que a população ainda apresenta alguma resiliência. Isso reforça a importância de continuar monitorando e protegendo as áreas de reprodução desta espécie", destaca a Dra. Liliana Colman, da Universidade de Exeter.

“É necessário reforçar o papel da continuidade das ações de conservação, que contribuem para o aumento da resiliência da população desta espécie Criticamente Ameaçada no Brasil “, ressalta o Mc Alex Santos, da Fundação Projeto Tamar, no Espírito Santo.

Você pode ler o artigo completo aqui: https://doi.org/10.1016/j.jembe.2025.152100

 

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